Tubos Sonoros
Assim como as cordas vibrantes, os tubos sonoros também podem sustentar padrões de ondas estacionárias e produzir uma rica série de harmônicos. A diferença fundamental está no meio em que a onda se propaga: enquanto nas cordas temos ondas transversais, nos tubos sonoros lidamos com ondas longitudinais de pressão no ar. Ainda assim, os conceitos de reflexão, nós, ventres e interferência permanecem, permitindo um paralelo direto entre os dois sistemas.
Temos dois tipos de tubos sonoros, caracterizados por sua condição de contorno, ou seja, pela forma como suas extremidades interagem com o ar.Tubo sonoro aberto nas duas extremidades
Em um tubo aberto nas duas pontas, o ar pode oscilar livremente em cada extremidade. Nessas regiões formam-se ventres de deslocamento (máxima variação do movimento do ar) e, em consequência, nós de pressão.
O modo fundamental corresponde a meio comprimento de onda ajustado dentro do tubo. O segundo harmônico corresponde a um comprimento de onda inteiro, o terceiro harmônico a um comprimento e meio, e assim sucessivamente.
Esse comportamento é diretamente análogo ao de uma corda vibrante, pois ambos apresentam uma série harmônica completa, isto é, todos os múltiplos inteiros da frequência fundamental.
Instrumentos como a flauta, o saxofone e o clarinete baixo funcionam de modo semelhante a tubos abertos e produzem sons ricos devido à presença de todos esses harmônicos.
Tubo sonoro fechado em uma das extremidade
Em um tubo fechado em uma das pontas, o ar não consegue oscilar nessa extremidade. Ali forma-se um nó de deslocamento (nenhuma variação do movimento do ar) e, consequentemente, um ventre de pressão. Já na extremidade aberta, acontece o inverso: temos um ventre de deslocamento e um nó de pressão.
O modo fundamental corresponde a um quarto de comprimento de onda ajustado dentro do tubo. O próximo harmônico possível é o terceiro harmônico, que corresponde a três quartos de comprimento de onda; em seguida, o quinto harmônico, com cinco quartos, e assim por diante.
Dessa forma, os tubos fechados não apresentam todos os harmônicos, mas apenas os de ordem ímpar (1º, 3º, 5º, ...). Isso faz com que o som produzido tenha características diferentes dos tubos abertos.
Instrumentos como a clarineta, a trompa alpina e certas flautas indígenas funcionam de modo semelhante a tubos fechados e produzem timbres marcantes devido à ausência dos harmônicos pares.